quarta-feira, 16 de março de 2011

Pra se esquecer um amor..

"...estou lembrando menos de você, falta pouco para me convencer, que sou a pessoa errada..." Aqui – Ana Carolina

Há mais ou menos 1 ano recebi a notícia que de precisaria passar por uma cirurgia simples, para retirada de um ciso incluso.. Fiquei em pânico. Eu morro de medo agulhas, anestesias, odeio sentir dor.. Ironia do destino? Sim.. pra quem já teve coragem de furar a língua, os dois tragus (duas vezes), colocar um transversal e ainda pensa em furar os mamilos (sim, mamilos no plural).. Mas ainda assim era a coisa mais assustadora do mundo, pelo menos para mim. Demorei mais de 6 meses para decidir fazer, aliás, esperei até as dores ficarem tão insuportáveis que não conseguia mais comer direito e não tinha mais Buscopan ou Ibuprofeno que desse conta. Então, um dia, depois de muita insistência de meu pai, fui ao dentista pra olhar essa história.. marcar o dia, tirar as radiografias, etc. Finalmente decidi encarar.

Isso eu tenho de bom. Eu sinto o medo, admito o medo e, mais cedo ou mais tarde, eu encaro. Lá fui eu me preparar para a “pequena cirurgia”. Arrumei um bom dentista, fiz todos os preparativos, e num dia quente desse mês de fevereiro acordei cedo, comi alguma coisa, arrumei a casa e fui, feliz e saltitante ao dentista..

Meu coração batia tão forte que achei que fosse morrer ali mesmo, antes até da anestesia (já disse que tenho pânico de agulhas né?). Depois de me ajeitar na cadeira, o dentista foi conversando comigo.. tentando me acalmar.. passou um anestésico local (uma xilocaína mesmo) antes de me perfurar 8 vezes, sim queridos, OITO VEZES com a agulha insuportável.. Fui assim, com a cara, a coragem e o dentista tentando o tempo todo me deixar ciente do que ele ia fazer.. Após as agulhadas, decidimos esperar fazer efeito.. e com isso, tiramos as radiografias.. Estava eu, morrendo de medo, com a boca toda anestesiada, falando MUITO engraçado.. dentro de uma sala branca cheia de aparelhos que pra mim serviam de suporte aos ditadores na hora da tortura.. E o dentista.. aaahh o dentista..conversava comigo como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo (para ele era, claro.. mas pra mim NÃO!).. e me disse, todo alegre: terei que quebrar seu dente em três (sim, TRÊS) partes para conseguir retirá-lo.. quase morri do coração nessa hora..

Quando terminou, e demorou a terminar, eu estava mal. Tonta, enjoada e com muita dor.. Fui pra casa.. Dormi e acordei uma infinidade de vezes até que comecei a conseguir ficar acordada. Meus pais estavam do meu lado o tempo todo. Quando passou o efeito da anestesia, começaram as dores. Tentei tomar um banho mas quase caí no banheiro. Sentia uma fraqueza (era fome mesmo.. tive que passar a sexta só de líquidos), um torpor, uma dor, tudo ao mesmo tempo.

Passei assim uns 2 dias.. E tudo passou.. Hoje eu não sinto mais aquelas dores horríveis, mas como todo mundo que passa pelo mesmo procedimento, já posso comer qualquer coisa. O local dos pontos doem e eu sinto falta de um reservatório para as minhas mágoas (depois de tirar o ciso, o chamado “dente do juízo”) passei a falar muito mais o que eu penso e a fazer muito mais merdas..

Pois bem, e vocês me perguntando o que isso tem a ver com o amor? Bem, o amor vem, um dia. Ele chega te pega meio desprevenida, naquela hora em que você jura que não vai se apaixonar novamente. Às vezes vem numa pessoa que você nunca conheceria se não fossem circunstancias muito estranhas, que só são explicadas por pura sincronicidade. Você vive uma história de amor, linda. Com lindos momentos a dois, mãos dadas, sorvetes compartilhados, passeios que você não ousaria fazer sem o parceiro. E, da mesma maneira que vem, um dia, ele vai.

É, amor não é eterno. Mesmo que ele acabe no dia em que um dos dois morrer, ele acaba. Um dia você se vê sozinha novamente, no meio de um monte de lembranças. Fotos, recordações, ingressos de cinema, de teatro, presentes. Promessas de uma vida inteira junto com aquela pessoa que parecia tão ideal, tão perfeita, que tudo o que você consegue sentir agora é um enjôo, um torpor e uma dor horrível. Saudades, medos, inseguranças, parece que tudo vem à tona em todos os segundos do dia. Você acaba de acordar e pensa que ele foi embora e volta tudo de novo. Em sonho, às vezes, você o encontra. Mesmo que seja para ele te dizer que não, não te quer mais mesmo. O amor para a pessoa acabou. E para você não.

E dói. Como dói.. Os dias vão se arrastando.. Você vai tentando voltar a fazer tudo com alegria, mas parece que não dá. Sei lá, não dá. Tem uma coisa no seu peito falando "desculpa, mas não dá". Você tenta, sai para balada, faz a fila andar, arruma outro namorado correndo. Ou então se fecha no seu quarto e chora todas as suas dores, vai descendo e se enterrando na fossa o mais fundo que pode. E a dor continua lá.

A semelhança entre os dois procedimentos é uma só: você precisa passar. Não se tira um dente sem sentir toda a dor e ansiedade que ele causa, mesmo sabendo que, depois disso, virá à cura e você será infinitamente mais feliz. Não se cura uma dor de amor se não passar por ela, mesmo sabendo que, depois, você terá aprendido lições importantes e será infinitamente mais feliz do que antes. As dores são para serem vividas, passadas. Mesmo aquelas que te causam uma angústia horrível, que te fazem pensar em nem estar mais neste mundo, que te colocam frente a frente com todas as suas carências. Suas carências. Ninguém é carente do outro, mas acreditamos nisso. Acreditamos que o que nos dói é a falta do outro quando na verdade, é a falta da gente mesmo. É aquela pessoa que deixamos para trás quando decidimos acreditar que tudo seria tão perfeito com ele, que não precisaríamos de mais nada.

Aos poucos, nos recuperamos. E assim como uma cirurgia em que um dente inflamado e aparentemente inútil é extirpado, são extirpadas de nós as nossas ilusões amorosas. As festas de casamento da nossa mente, os laços, o bebê rosado e cheiroso. Vai sobrando o que sempre teve: uma linda história de amor, lindas lembranças e lindos aprendizados. A ferida aberta e pulsante vai fechando. Você tira os pontos, você vê a ferida cicatrizando, dia a dia. Possivelmente não será a mesma de antes. Não permitirá mais que entre qualquer coisa na sua vida. O grande perigo das dores de amores são as quelóides. A gente não deixar aquilo cicatrizar. Ficar amarga, distante. Dizer que não quer mais amar, não quer mais sentir aquela ternura por ninguém. Mas o tempo passa, e assim como você pode voltar a comer batata-frita, maçã do amor, chocolate e coisas quentes, um novo amor poderá surgir. Mais maduro, menos cheio de ilusão. Não será como antes, porque você não é a mesma, mas será igualmente bom e reconfortante. E quanto menos ilusões criarmos com este novo amor, mais feliz para sempre seremos. Mesmo sem festa de casamento e promessas de vida eterna. Porque eternamente, minha amiga, você só vai ficar com você.

Viver hoje o que tem que ser vivido. Esta é a lição. Saber que se agora é um momento de reparação, e é este momento que se deve viver. Assim como, um dia novamente, voltarão os momentos de amor e de união.

Confiar em si e no Universo. Sejamos felizes agora, com o que temos. O melhor sempre está a nossa espera!

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