Sei que revisitar o passado é uma estupidez, mas não consigo deixar de fazer isso.. Principalmente quando ganho novas compreensões sobre o que já aconteceu, sobre o que eu já vivi. Essas voltas ao passado me permitem estudar meu comportamento, mas também tornam possível o estudo do comportamento alheio.. Vamos às considerações:
Ele tinha uma relação muito especial com a mãe.. Preocupado, atencioso e carinhoso.. Achava isso uma gracinha, afinal, mãe é mãe.. Ela também.. era de um zelo com ele e com as coisas dele.. que, confesso, às vezes me deixava com um pouco de ciúme.. Entretanto o tempo foi passando.. e eu fui percebendo a realidade: O que eles tinham não era apenas uma relação de zelo entre mãe e filho.. Na verdade, aquilo tudo tinha se tornado uma relação simbiótica dele com a mãe.. Tão simbiótica que a mãe estava conosco mesmo quando estava longe..Entendi o pq do amor que ele sentia por mim: Apesar de meus rompantes de ira, eu sempre tive muito da personalidade da mãe dele.. a determinação, a impaciência de ver algo por fazer sem que ninguém tome as rédeas da situação.. a facilidade de tomar a frente de tudo.. a falta de paciência com pessoas que exalam aquela simpatia exagerada.. E eu acho que foi exatamente por isso que ele se apaixonou por mim.. Um misto de amor doentio com um complexo de Édipo.. aquela velha história de que adultos (tanto homens, como mulheres) procuram parceiros cuja personalidade se assemelhe ao da mãe ou do pai.. Então, desse modo, consegui explicar o “amor” que ele sentia por mim.. Um amor tão doentio quanto a relação com sua genitora..
Sabe.. ele era quase perfeito.. Tinha tudo que eu já quis num homem.. Aliás, quase tudo.. Menos interesse por mim.. E essa falta de interesse era visível!! Me olhava como se eu fosse a “namorada pantufa”.. Sim, aquela que você só usa dentro de casa, mas que não tem coragem de sair com ela.. Vivemos quase como irmãos. Ríamos juntos, conversávamos sobre tudo.. Até o dia em que a briga saiu do controle.. e nos exaltamos, brigamos, discutimos.. nos ferimos, nos ofendemos.. e terminamos.. E foi naquele momento que eu percebi a veracidade de minhas desconfianças acerca da relação doentia de mãe e filho: Para ela, ninguém era bom o suficiente para ele, e isso ela sempre deixou bem claro em nossas conversas (apesar de nunca ter me tratado de forma rude).. E ela se sentiu no direito de entrar nessa nossa relação e praticamente terminar comigo ela mesma.. Disse exatamente o que pensava de mim, foi categórica ao expressar seus sentimentos e dizer exatamente o que pensava.. Claro que, devido à relação doentia dos dois, saí da história como a vilã.. a bruxa malvada.. Mas não a culpo por nada, afinal de contas, ela só tinha acesso à pouquíssimas informações acerca de meu relacionamento com ele.. Claro que me senti injustiçada, e até pensei em deixar pra lá.. afinal, nunca fui de ligar para a opinião dos outros sobre mim.. Mas depois de alguns dias, resolvi colocar as coisas em pratos limpos.. e hoje me julgam por tê-la envolvido na história.. Corrijam-me se eu estiver errada, mas não foi ela mesma que se envolveu quando “terminou” comigo?? Fiquei confusa.. Mas havia terminado.. Aliás, ELA havia terminado comigo.. E por um momento, me senti aliviada (apesar de ainda gostar dele)..
Ficamos dois meses separados.. Dois longos meses sofrendo, sentindo falta, lembrando dos momentos bons que vivemos juntos.. Não vou negar: sentir falta dói.. e dói muito.. mas é como sempre me disseram: a vida não para.. E quando finalmente consegui viver minha vida, eis que ele reaparece.. e muda tudo de novo..
E a pergunta que me vem, agora, é: o que é que eu tinha a ver com os problemas que eles tinham? O que eu tinha a ver com essa relação simbiótica dos dois? Por que eu não pude apenas amá-los pelo que eles eram, como eram? Não sei. Só sei que não consegui. Dei a ele um ultimato.. Não aguentava mais viver escondida.. E ele deu pra trás.. Escondeu o seu medo da opinião de sua genitora através de um “respeito”.. Para mim pareceu mais covardia e medo.. e mais uma prova de que ele jamais vai conseguir amar uma outra pessoa a não ser ela.. E por não conseguir enxergar outra mulher a não ser aquela que lhe deu a vida, Hoje sei que ele jamais vai conseguir se entregar de corpo e alma à ninguém.. e sei também que o espaço para qualquer esposa ou namorada no coração e na vida dele será sempre bem menor do que aquele que se merece..
Mas graças a Deus já estou bem mais desapegada a ele.. creio que esse tempo separados foi bom pra mim.. Achava que jamais teria vida sem ele, mas descobri que não é bem assim.. Eu consigo viver apesar da falta!!
E agora, que consigo, ou pelo menos tento, não posso deixar de pensar em como teria sido. E essas são perguntas que acredito nem o vento ter as respostas. Ele tem coisas melhores a fazer do que lembrar de onde soprou. Só sopra. Eu devia fazer o mesmo.
Uma coisa é certa: esses relacionamentos simbióticos não se quebram.. São como um ménage à trois.. e como essa não é minha praia, pode até parecer muita falta de carinho de minha parte, mas de fato, sinto-me até um pouco feliz por ter terminado novamente.. De fato, cedo ou tarde ela descobriria sobre nós.. e talvez um dia nos aceitasse.. Mas não sei se quero me enfiar nesse ménage novamente.. Não me faria bem..
A três, nem pensar..
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