segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Pra desabafar.. desafogar..

Sabe, desde que te conheci sempre te achei um meninão.. e isso me fazia bem.. eu era alegre, você me divertia.. Independente da atual situação que vivíamos, era sempre bom estar perto de você.. Com o passar do tempo, com a chegada do Rafael, tudo mudou.. Você se afastou, mudou comigo.. achava que era apenas pela dúvida que você tinha (se ele era de fato seu filho ou não), e eu acreditei que isso iria passar um dia; que depois da certeza você seria, na medida das suas possibilidades, um pai.. Quero apenas deixar claro que nunca alimentei qualquer sonho de princesa.. nunca acreditei que ficaríamos juntos e felizes para sempre.. sempre tive consciência de que nossas vidas eram independentes.. cada um no seu quadrado, cada um com seus sonhos, seguindo seu caminho..

O tempo passou, fizemos o exame conforme sua vontade, e pude ver estampado no seu olhar que não era o que você queria.. A certeza de que você tinha mais um herdeiro, mais um pequeno que, igual aos demais, precisaria de atenção e carinho não te agradou nem um pouco, e foi como de um pedaço meu fosse arrancado.. é uma dor excruciante.. para acalentar meus pensamentos, deixei-me acreditar que era apenas pelo choque.. ah.. depois que passar esse primeiro susto, ele talvez se interesse em ao menos conhecer o Rafa.. dê tempo ao tempo..

E os dias foram passando.. com isso, a distância aumentava cada vez mais.. a falta de interesse passou a me incomodar.. afinal de contas, se havia o Rafael, há de se concordar que a "culpa" era de nós dois!! Sei que nesse momento você deve estar pensando: "eu tentei lhe arrumar o remédio para aborto.. Você também não queria esse filho, mas não quis tomar! Agora agüenta!" E comecei a me irritar com a sua falta de interesse.. aquilo me absorvia qualquer pensamento bom.. qualquer resquício de racionalidade ia pro espaço ao ver que todos se importavam, menos você.. o orgulho falou mais alto.. a vontade de te fazer sentir na pele essa mesma falta de interesse, esse mesmo descaso tornou-se meu objetivo e por isso lhe disse que nem eu, nem Rafael precisávamos de você.. e me fez pedir para desaparecer das nossas vidas.. pedir para que nunca mais nos procurasse, embora eu tenha consciência da falta que faz a figura paterna na vida de uma criança..  Mas minha raiva ultrapassava os limites ao te ver todo galanteador comigo.. sem sequer perguntar sobre esse pedacinho que é meu, mas que também tem seus traços, seus trejeitos.. Dói.. como dói..

Estranho imaginar, né? Como eu podia te ver, te beijar, te sentir, mesmo tendo todo esse rancor, essa mágoa dentro do peito? Não sei.. juro que isso me intriga também.. nunca descobri se era amor, se era paixão, ou se era apenas a vontade de resgatar o lado mulher que ficou esquecido por tanto tempo.. lado esse que ninguém mais que você sabia despertar de tal forma, que o mundo parava por alguns instantes quando estávamos juntos.. Mas junto de toda essa indescritível sensação, vinha a repulsa, a vergonha. Não de você, entenda isso.. mas de mim mesma. De mim, que deixava tudo aquilo que acreditava pra trás por alguns momentos, por migalhas de carinho, por minutos de atenção.. E foi por isso que te confundi tantas vezes. Te queria, queria te sentir, queria te beijar, te abraçar.. e em segundos, pedia pra que nunca mais me procurasse.. era uma montanha russa de sentimentos que às vezes nem eu mesma entendia.. Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você.. eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas as coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e “desamar” era não mais conseguir ver, entende? dolorido-dolorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender melhor.

Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima. Que você podia tê-la tocado. Você poderia tê-la apanhado. No ar, que nem uma fruta. Aí volta o soco. E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro? Você vai perguntar: mas houve o erro? Bem, não sei se a palavra exata é essa, erro.

Com o passar dos meses, tentei lhe trazer pra perto.. não perto de mim, pois sempre soube que embora tivéssemos o desejo ao nosso favor, não passaria disso.. O batizado do Rafa era a oportunidade perfeita. Convidei.. por azar ou força do destino, você não poderia ir.. estava viajando. Pensei: ok, sem problemas.. outras oportunidades virão. E vieram de fato.. a foto mensal do mês dos pais.. Honestamente não sei o que lhe passou pela cabeça.. talvez pensou que eu poderia utilizá-la posteriormente como forma de chantagem ou algo do tipo.. e nem um retorno me deu. Mais uma vez senti um pedaço de mim sendo arrancado. Pedi que aparecesse de vez em quando, e vejo que isso também não fará parte dos seus planos, nem hoje, nem amanhã e nem nunca... De fato me incomoda, mas não estou aqui pra te julgar.. acho que não cabe julgamento.. só você sabe dos seus problemas, e nem de longe sou perfeita.. mas quando se trata do Rafael, tudo fica tão intenso, tão à flor da pele.. que me sinto obrigada a falar. Sei que provavelmente você não chegará até aqui. Perderá o interesse no assunto ainda lá em cima e vai dar de ombros. Mas eu precisava desabafar.

Mas vamos ao que interessa? Acho que tá na hora de crescer, né? Passou da hora de acordar pra realidade e encarar a vida.. deixar de lado as molecagens e seguir.. Quero que saiba que nunca pensei em te prejudicar de forma alguma. Não tenho esse interesse e como disse lá em cima, não me acrescenta nada. Você foi uma pessoa muito especial pra mim, e espero que sua nova vida a partir de agora seja aquilo que você sempre buscou. Que seus sonhos se tornem realidade e que você seja MUITO feliz nesta nova etapa. Quanto à mim, pode ficar tranqüilo.. não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar.. Continuar com a vida, com os dias de rotina..

O mais engraçado é que, depois de escrever e ler tudo isso, cheguei à conclusão de que eu realmente te amava.. É verdade, eu o amava.. Nao com esse amor de carne, de querer tocá-lo e possuí-lo.. Era um amor diferente, quase assim feito uma segurança de sabê-lo sempre ali. Platônico? Pode ser.. Não é mesmo normal o que eu senti por você..


Fica com Deus.. e se cuida. Boa sorte na sua nova jornada..

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Fala comigo!!